Este blog tem como fim divulgar notícias de relevo do judiciário e do mundo jurídico, publicar artigos jurídicos e tudo mais que for de interesse dos acadêmicos e profissionais do direito, bem como de todos os demais interessados nessas questões.
"A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade... Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real." Rui Barbosa
domingo, 11 de março de 2018
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Aqui pode-se ver o sumário, apresentação e breve introdução (https://www.academia.edu/35821851/ESTUPRO_Uma_re_leitura_tipol%C3%B3gica._Contribui%C3%A7%C3%A3o_cr%C3%ADtica_%C3%A0_reflex%C3%A3o_jur%C3%ADdico-penal)
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
PROTOCOLADO NO SENADO PEDIDO DE IMPEACHMENT DO MINISTRO GILMAR MENDES DO STF
Grupo de juristas protocolou nesta terça-feira no Senado dois pedidos de impeachment contra o ministro Gilmar Mendes do STF; assinam o documento, entre outros nomes, Celso Antônio Bandeira de Mello, Fábio Konder Comparato e Roberto Amaral; eles, no texto, que Gilmar "tem-se mostrado extremamente leniente com relação a casos de interesse do PSDB e de seus filiados, tanto quanto extremamente rigoroso no julgamento de casos de interesse do Partido dos Trabalhadores e de seus filiados, não escondendo sua simpatia por aqueles e sua ojeriza por estes"; leia a íntegra e assista a coletiva
Os juristas deram coletiva sobre o assunto:
FONTE: http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/255004/Juristas-protocolam-pedido-de-impeachment-de-Gilmar.htm
terça-feira, 26 de janeiro de 2016
CONFLITOS ENTRE DIREITOS FUNDAMENTAIS: INFORMAÇÃO E HONRA
CONFLITOS ENTRE
DIREITOS FUNDAMENTAIS: INFORMAÇÃO E HONRA
*Rômulo de
Andrade Moreira
O Brasil
atravessou um período relativamente longo no qual as liberdades públicas
estiveram sacrificadas em razão de um regime político não democrático que se
instaurou no País quando os militares depuseram um governo civil eleito legitimamente.
Um golpe, não uma revolução. A partir desta ruptura institucional (ilegítima),
o País passou a viver à margem da Democracia, respirando um ar poluído pelo
medo, pela desesperança, pelo arbítrio, pela desconfiança, pelas deslealdades,
onde preponderavam as delações, premiadas ou não, a tortura, a corrupção, o
coronelismo, a burocracia estatal, o emperramento da máquina administrativa, a
incompetência na gestão pública, etc., etc. Salvava-se o futebol...
No
plano internacional, enquanto o mundo dividia-se entre as duas superpotências,
envoltas em uma perigosa guerra (fria), cada vez mais, e para sempre,
obedecíamos às ordens dos Estados Unidos (até o nosso sistema jurídico, nada
obstante a tradição do civil law,
vive a copiar o common law: delação
premiada, barganhas penais, relativização das provas ilícitas, privatização das
prisões, etc.).
Naquele
ambiente absolutamente sombrio, a imprensa sofria reveses cotidianos, subjugada
pelo governo que dispunha de um órgão especialmente designado para fiscalizá-la,
situação que se agravou sobremaneira após a publicação do Ato Institucional nº.
5, em 13 de dezembro de 1968, só revogado em 13 de outubro de 1978, com a
promulgação da Emenda Constitucional nº. 11. Mesmo com a revogação
do AI 5, a liberdade de imprensa continuou manietada. Os mais diversos meios de
comunicação seguiram monitorados pela Censura Federal. Telenovelas não foram ao
ar, mesmo após já gravados capítulos, redações de jornais foram invadidas,
outros ficaram inviabilizados financeiramente, até fecharem as portas,
jornalistas ameaçados e mortos, outros fugiram do País. Enfim, não havia
liberdade de imprensa. Fingia-se que se informava e o povo fingia que era
informado. E o governo militar, hipocritamente, flertava com alguma mídia em
troca de algumas concessões.
Com
a redemocratização do País, a partir da promulgação da Constituição, as
liberdades públicas, em particular, a liberdade de imprensa, destacou-se. E era
natural que assim o fosse. Era mesmo um desejo de todos nós, carentes que
estávamos de uma informação livre, liberta dos grilhões dos militares. A
imprensa libertou-se e isso foi muito bom. No texto constitucional ficou
consignado: "É assegurado a todos o
acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao
exercício profissional." (art. 5º., XIV). Também: "É livre a manifestação de pensamento, sendo
vedado o anonimato." (inciso IV), assim como "é livre a expressão da atividade
intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de
censura ou licença." (inciso IX).
E,
então, onde quero chegar, se tudo parece muito óbvio? Bem, quando deixei o
ensino médio optei pelo curso de Direito e, após concluí-lo, ingressei no
Ministério Público (após uma rápida passagem pela Procuradoria da Fazenda
Estadual), onde estou desde então, quase sempre atuando na área criminal. Além
disso, dedico-me, estudando (muito) e ensinando (um pouco) Direito Processual
Penal. Noto, a cada dia, que as coisas têm mudado muito. Assustadoramente, eu
diria. Em que sentido? Explico.
É
certo que há o interesse público em saber o resultado de um determinado
julgamento judicial. Também está na Constituição que todos os julgamentos dos
órgãos do Poder Judiciário serão públicos. Correto. Tudo faz parte do jogo
democrático. Mas, é preciso que outras peças deste jogo sejam manejadas dentro
do mesmo tabuleiro. É o mesmo jogo, são as mesmas peças, os mesmos jogadores e
o mesmo tabuleiro. Vejamos, por exemplo, o que está escrito no art. 5º., X da
Constituição: "são invioláveis a
intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o
direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação."
Também
a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica),
promulgado no Brasil pelo Decreto Presidencial nº. 678/92 (com status de norma
supralegal, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal), após
estabelecer no art. 13 que "toda pessoa tem direito à liberdade de
pensamento e de expressão", afirma que o seu exercício estará
sujeito "a responsabilidades
ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela lei e ser necessárias para
assegurar o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas."
E
o que vemos e lemos hoje, e há muito, nos telejornais, nas revistas, nos
jornais, nas redes sociais, nos blogs, enfim, nos mais diversos meios de
comunicação? Trechos de delações premiadas que deveriam estar, por força de
lei, sob absoluto sigilo nos autos da investigação criminal, partes de
depoimentos de testemunhas, de interrogatórios de indiciados, fragmentos de interceptações
telefônicas e escutas ambientais também cobertas pelo sigilo (nem sempre
autorizadas pela Justiça, portanto, às vezes clandestinas, criminosamente
conseguidas), etc. E sempre material seletivamente fornecido pelos órgãos do
Estado que têm a guarda dos documentos. Isso é fato. Réus (mais) pobres e
ricos. Brancos e (mais) negros. Incluídos e (mais) excluídos.
E
mais: até o cotidiano de pessoas encarceradas em estabelecimentos prisionais,
onde se encontram sob custódia do Estado e, portanto, sob a responsabilidade do
governo brasileiro, é devassado e vendido nas bancas de revista e exposta
gratuitamente na rede mundial de computadores.
E
há algo ainda mais grave. Se tais fatos não fossem um agravo absurdo do ponto
de vista da vida privada e da intimidade da pessoa (que na esmagadora maioria
das vezes ainda nem foi julgada), o prejuízo do ponto de vista processual é
imenso, incomensurável, pois esta exposição midiática põe e expõe o julgador (e
também o acusador) em uma situação de pressão junto à opinião pública da qual
dificilmente ele se libertará corajosamente. O ato de acusar e o de julgar já
estão viciados, contaminados pela pressão da mídia, pelo fato noticiado, pela
capa da revista, pela manchete do jornal, pelos comentários dos amigos, enfim...
Ao
final e ao cabo, condena-se não em razão das provas, mas em virtude das
evidências noticiadas. A condenação impõe-se, não porque o Direito assim o
exige, mas porque é preciso que o leitor e o telespectador tenham uma resposta
(de preferência rápida, daí a razão das prisões provisórias infindas) acerca da
informação dada, pois não é possível que depois de tantos fatos postos, tantas
fotos postadas, não haja uma sentença dada, um castigo imposto! É assim a
lógica do sistema, não? Esta foi a razão pela qual comecei lembrando os tempos
difíceis do regime político comandado pelos militares brasileiros e como foi importante o papel da imprensa, seja
resistindo (pelo menos uma parte dela, veja, por exemplo, o Pasquim), seja,
após o fim da ditadura, fortalecendo o agora regime democrático.
A
liberdade de imprensa é um valor a ser a todo instante preservado e
conquistado. Os profissionais da imprensa devem ser sempre valorizados. Mas, é
preciso, por outro lado, que sejam também respeitadas outras liberdades, também
fundamentais. É a Constituição que exige. A Democracia custa muito caro para
todos. É ônus e bônus. São deveres e direitos. É um verdadeiro "toma lá, dá cá"
ético (se me entendem bem). Não é possível uma liberdade de imprensa que não
encontre freios, como, obviamente, não se pode admitir uma censura à imprensa.
Não
dá para admitir que trechos de uma delação premiada documentada em autos de uma
investigação criminal esteja no dia seguinte estampada em uma folha de um
jornal de circulação nacional ou em telejornal de grande audiência. Diga-se o
mesmo em relação às interceptações telefônicas ou escutas ambientais. Não é possível!
Pessoas presas, algemadas, que sequer foram indiciadas formalmente, não podem
ser expostas publicamente. É óbvio que isso gera um sentimento negativo que
seguramente implicará, também negativamente, no momento de se fazer o juízo de
acusação e, mais tarde, o juízo de condenação. Não, não é chegada a hora. Já
passou o momento de repensarmos este modo de atuar. Nós que fazemos parte desta
engrenagem chamada Justiça criminal: integrantes da Polícia, do Ministério
Público, Magistrados e todos os outros.
Nós
estamos lidando com gente e não estamos mais no século XVIII, quando “o povo reivindicava seu direito de constatar
o suplício e quem era supliciado”, pois o “condenado era oferecido aos insultos, às vezes aos ataques dos
espectadores.” Afinal de contas, “as
pessoas não só tinham que saber, mas também ver com seus próprios olhos. Porque
era necessário que tivessem medo; mas também porque deviam ser testemunhas e
garantias da punição, e porque até certo ponto deviam tomar parte nela. Ser
testemunhas era um direito que eles tinham e reivindicavam; um suplício
escondido é um suplício de privilegiado, e muitas vezes suspeitava-se que não
se realizasse em toda a sua severidade. Todos protestavam quando no último
instante se retirava a vítima aos olhares dos espectadores.” Tudo muito
parecido com o momento atual, só que este é um relato de Michel Foucault, da
França, do século XVIII (Vigiar e Punir – História da Violência nas Prisões,
Petrópolis: Vozes, 1998, p. 49).
Somos seres racionais, trabalhamos com leis, normas jurídicas, princípios e regras, com uma Constituição, sobretudo. A imprensa, por sua vez, tem o dever republicano (e fundamental) de informar fatos efetivamente relevantes e importantes para a sociedade, além, claro, de entreter, divertir, etc., sem desabonar a honra das pessoas, desacreditá-las, ainda que, supostamente, tenham praticado algum delito. Isso se chama credibilidade. Um dia pode se perder.
*Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado da Bahia e Professor de Direito Processual Penal da Universidade Salvador - UNIFACS
**Nota do editor: autorizada a publicação pelo autor em e-mail pessoal.
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
CONDENADOS POR HOMICÍDIO E TRÁFICO, EX-PRESIDIÁRIOS TRABALHAM NO STF
Marcelo é um funcionário aplicado e integrado ao gabinete”, elogia o ministro Gilmar Mendes à coluna Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo. Ele se referia a Marcelo Guedes, um dos cinco ex-presidiários que trabalham em seu gabinete. Condenado em 2007 a oito anos de prisão por tráfico de drogas, Marcelo ficou preso por um ano na Papuda, em Brasília, de onde saiu por um Habeas Corpus. Inscreveu-se então num programa que oferece trabalho no STF a pessoas que cumprem pena em regime aberto ou semiaberto.
Junto com ele trabalham Wellington Almeida, Valdir de Oliveira e Robson William, conforme relata a coluna na edição do último domingo (28/12). O primeiro foi condenado a 11 anos depois de matar uma pessoa em 2011. Ele já cumpriu um sexto da pena e hoje está no semiaberto, por isso volta todos os dias para dormir no CPP, o Centro de Progressão Penitenciária de Brasília. O segundo, ex-policial, matou uma pessoa em 2002 e foi condenado a 12 anos. Ele já está no regime aberto. Já Robson foi condenado por assalto e trabalha no STF há um ano. Todos recebem R$ 1.200 mensais.
"O ministro Gilmar Mendes [foto] aceita traficante, homicida, assaltante. Ele não tem preconceito", diz Robson. O ministro diz que nem sequer pergunta aos coordenadores do programa o crime que eles cometeram. "Eu não poderia entrar nessa discussão sob pena de projetar preconceito e de negar chance às pessoas, comprometendo o próprio intento do programa", diz o magistrado, que lançou a iniciativa em 2008, quando presidia o Supremo.
"Quando aparece alguém querendo ajudar, como aqui no STF, você até eleva a cabeça. Eu agora quero estudar. Para bater no peito e dizer 'eu posso!'", afirma Robson,que faz planos para atuar como advogado de defesa, na área criminal.
Carlos Eduardo Estevam já terminou há dois anos de cumprir pena por tráfico de drogas. Ganhou emprego fixo: integra a equipe de secretários do gabinete de Gilmar Mendes.
FONTE: http://www.conjur.com.br/2014-dez-29/condenados-homicidio-trafico-ex-presidiarios-trabalham-stf
NOTA DO EDITOR: Esperamos, com sinceridade, que a imprensa trate os iguais nas medidas de suas desigualdades, contudo, enfocado o estigma de ex-presidiários, que também assim sejam tratados amanhã ou depois José Dirceu, José Genoíno e outros mais, estejam onde estiverem trabalhando, do contrário, já passou da hora de parar com essa seletividade midiática.
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
MODO DE ELEIÇÃO PRA TRIBUNAIS ESTÁ SUPERADO
Foto: Desembargador Herbert Carneiro - Presidente da AMAGIS
No momento em que cresce, em todo o país, a tese das eleições diretas para escolha da direção dos tribunais, com ampliação da elegibilidade a todos os desembargadores e inclusão do voto dos juízes, surgem críticas ao novo modelo e propostas de restrições. Em primeiro lugar, já está madura a convicção de que o atual modelo se esgotou, exatamente por ser restritivo e por ignorar outros critérios mais fundamentais à gestão do que tão somente a antiguidade.
Apesar de ser tradição nos tribunais, esse critério deve ser superado, principalmente pelas distorções sofridas. Isso não é salutar para a carreira, para o Poder e, muito menos, à sociedade. Em São Paulo, esse avanço foi aprovado e mantido, liminarmente, pelo Supremo Tribunal Federal, com a possibilidade de votação e eleição para a chefia do Poder de todos os desembargadores que integram o Pleno.
Sem desprezar a experiência, tão importante quanto ela são a eficiência, o conhecimento e o estudo que o desembargador faz para melhorar e se preparar para lidar com a administração pública. Na democratização que vislumbramos, é muito importante a possibilidade de todos poderem se candidatar e essas mesmas autoridades poderem escolher o melhor, pautado na competência com efeitos para o funcionamento célere da Justiça. Os tribunais, via de regra, carecem de um debate aprofundado sobre o planejamento estratégico, gestão qualificada e bons resultados para a administração.
Como todo o país, os Tribunais de Justiça passam por enormes transformações ditadas pelos novos tempos, em termos de administração pública, que requerem e cobram mais transparência, mais eficiência e mais conhecimento com relação à própria gestão, além de interlocução e comunicação permanentes com a sociedade, que não pode ter dúvidas sobre o que necessariamente deve ser feito.
Embora atrasada e seguidamente adiada, a democratização do Judiciário é um caminho sem volta, a exemplo da criação das diversas comissões que tratam dos mais variados assuntos (organização judiciária, regimento, administração, orçamento etc) no âmbito dos tribunais. É, no mínimo, prudente e recomendável que o eventual candidato a presidente tenha tido a experiência haurida na atuação nessas comissões. Outra experiência de fundamental importância é a participação no Órgão Especial, onde são tratados e decididos os grandes desafios administrativos e judiciários do Tribunal.
Será de grande valia também o conhecimento mais aprofundado em gestão, por meio de entidades e instituições especializadas como a Fundação Getúlio Vargas e a Fundação João Pinheiro, onde o magistrado terá oportunidade de assimilar técnicas de administração e de gestão pública. Coroando esse conjunto de qualidades, a capacidade e a disposição de relacionamento político junto aos outros Poderes e diversas instituições do Estado e em Brasília. E ainda, ter aptidão política e determinação para o trânsito no STF, CNJ e no Congresso Nacional.
São situações que, a nosso modesto juízo, darão ao candidato, sintonizado com os novos tempos, as credenciais de estar preparado para ser presidente e representar avanço concreto ao aprimoramento do Judiciário mineiro.
Tão importante quanto isso é o projeto de gestão, enquanto resultado de intensa interlocução com as comarcas mais longínquas e conhecimento da realidade de cada região. O coração que pulsa no Judiciário é a primeira instância, por isso, é fundamental conhecer as dificuldades enfrentadas pelos juízes e, mais ainda, ter disposição e diálogo para debater com eles os problemas e soluções para melhorar as condições de trabalho e de segurança e, consequentemente, da prestação jurisdicional. Só através da escolha de projetos de gestão é que o Poder Judiciário investirá no adequado aparelhamento das varas, juízos e juizados.
Na consolidação da bandeira histórica da democratização e aperfeiçoamento do Judiciário, destacamos a histórica presença e a manifestação da magistratura mineira na eleição do juiz gaúcho João Ricardo dos Santos Costa para dirigir os destinos da magistratura nacional na maior Associação de magistrados das Américas. Além do aperfeiçoamento do Judiciário, somaremos forças para o resgate da dignidade e valorização do magistrado.
FONTE: Revista Consultor Jurídico, 17 de dezembro de 2013
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
MINISTRO FUX MANDA TRF-1 EMPOSSAR JUIZ NÃO NOMEADO PELA PRESIDENTE DILMA
O
Tribunal Regional Federal da 1ª Região tem até a meia-noite desta terça-feira
(5/10) para empossar o juiz federal Cândido Moraes Pinto Filho no cargo de
desembargador pelo critério da antiguidade. A ordem é do ministro Luiz Fux, do
Supremo Tribunal Federal, que concedeu liminar em favor do juiz,
“independentemente de sua nomeação por ato da excelentíssima senhora presidente
da República”. É que a presidente Dilma Rousseff não nomeou o juiz para o cargo
por considerar que ele já havia passado da idade para ocupá-lo.
Cândido
Moraes Pinto chegou à entrância final da carreira de juiz federal da Bahia
recentemente. Tem 67 anos. O TRF-1, ao definir a lista tríplice de candidatos
que enviaria para a presidente Dilma, não o escolheu. Entendeu que o artigo 107
da Constituição, ao falar que os TRFs são compostos por no mínimo sete membros
que tenham entre 30 e 65 anos de idade, excluía, por definição, o candidato.
Insatisfeito,
Cândido foi ao Conselho Nacional de Justiça. Alegou que tal artigo só se refere
ao quinto constitucional, já que a intenção é impedir que advogados sejam
nomeados a desembargador e fiquem menos de cinco anos na carreira —
considerando a aposentadoria compulsória do serviço público aos 70 anos. De
acordo com o artigo 94 da Constituição Federal, um quinto das vagas em
tribunais devem ser divididos entre advogados e membros do Ministério Público.
O
conselheiro do CNJ Jorge Hélio concordou com o juiz Cândido. Proferiu liminar
determinando ao TRF que liste Cândido Moraes Pinto Filho na lista tríplice dos
que podem ser promovidos a desembargador federal pelo critério de antiguidade.
O TRF-1 chegou a reclamar, mas, como o nome já constava da lista, que já havia
sido enviada à presidente, o Pedido de Providências foi trancado sem resolução
de mérito.
A
presidente Dilma, de posse da lista, não nomeou o juiz federal a desembargador
do TRF-1. Por ter 67 anos, estaria excluído dos aptos a integrarem o TRF-1,
conforme se interpretou do artigo 107 da Constituição Federal. Por isso é que
Cândido Moraes Pinto Filho foi ao Supremo impetrar um Mandado de Segurança:
como era o mais antigo juiz federal na lista de promovíveis, deveria ser
automaticamente promovido a desembargador pelo critério da antiguidade.
O
ministro Fux (foto) concordou
com ele. Na decisão liminar, escreveu que “uma leitura superficial do texto
constitucional revelaria uma opção expressa pelo limite etário universal de 65
anos”. Mas, para ele, “o deslinde da questão se revela mais complexo”, pois não
se deve ler o dispositivo de maneira literal. Afirma que a intenção do
constituinte foi impor o limite de idade para o ingresso “no cargo isolado de
juiz de tribunal”, mas não para os juízes de carreira.
“A
meu sentir, a regra visa impedir que alguém que nunca exerceu cargo efetivo no
serviço público venha a ingressar no cargo de juiz de tribunal e se aposente
com menos de cinco anos de exercício e, portanto, de contribuição”, anotou Fux.
Explicou que o artigo 40 da Constituição, ao falar na aposentadoria dos
servidores públicos, estabelece o limite mínimo de dez anos de exercício de
cargo público para receber a aposentadoria.
Já
o artigo 93 da Constituição, diz Fux, garante aos juízes de carreira a promoção
“de entrância para entrância”. Mas nenhuma regra, continua, estabelece limite
máximo para o ingresso na carreira. O ministro cita precedentes do STF que
autorizaram maiores de 65 anos a compor listas tríplices para promoção a
desembargador.
Diante
disso, determinou ao presidente do TRF-1 “que emposse o impetrante [Cândido
Moraes Pinto Filho] no cargo de juiz no referido tribunal, independentemente de
sua nomeação por ato da excelentíssima senhora presidente da República, no
prazo de cinco dias”. E que sejam oficiados a própria presidente e o ministro
da Justiça, José Eduardo Cardozo.
Pedro Canário é
correspondente da revista Consultor
Jurídico em Brasília.
FONTE: Revista Consultor Jurídico, 5 de novembro de 2013
NOTA DO EDITOR: Tudo é uma questão de interpretação. Todos podem interpretar os dispositivos legais, mas só - nas palavras de Eros Grau ("Por que tenho medo dos juízes: a interpretação/aplicação do direito e os princípios) - o interprete autêntico (Juiz de Direito) pode transformá-lo em norma a ser aplicada ao caso concreto.
No caso, o interprete autêntico da Constituição Federal são os Ministros do Supremo Tribunal Federal, como se pode observar na dinâmica empregada pelo Ministro Luiz Fux para a aplicação da norma no caso concreto.
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